sexta-feira, 26 de setembro de 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Escola




O que significa o rio,
a pedra, os lábios da terra
que murmuram, de manhã,
o acordar da respiração?

O que significa a medida
das margens, a cor que
desaparece das folhas no
lodo de um charco?

O dourado dos ramos na
estação seca, as gotas
de água na ponta dos
cabelos, os muros de hera?

A linha envolve os objectos
com a nitidez abstracta
dos dedos; traça o sentido
que a memória não guardou;

e um fio de versos e verbos
canta, no fundo do pátio,
no coro de arbustos que
o vento confunde com crianças.

A chave das coisas está
no equívoco da idade,
na sombria abóbada dos meses,
no rosto cego das nuvens.


Nuno Júdice

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Todas as crianças da terra



(...)

A paz é a onda redonda
que da praia tem saudades
e muito mais do que a onda
a paz é a vida sem grades.


(...)

Sidónio Muralha 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ode



Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

nesting

Desde que tivemos a certeza da minha gravidez parece que entrámos num carrossel que não pára. as leituras alargaram, revejo constantemente as necessidades vitamínicas  de cada trimestre, visito milhares de fóruns que nos dêem algumas pistas sobre qual o carrinho de bebé que comprar, que produtos, como não engordar muito, enfim, um mar de coisas que desconheço por completo e que por enquanto ainda não me atormentam. 
se souberem de sítios bonitos ou que me ajudem a esclarecer algumas dúvidas, eu e o meu bebé agradecemos :)


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Homens que são como lugares mal situados





Sei que o homem lavava os cabelos como se fossem longos
Porque tinha uma mulher no pensamento
Sei que os lavava como se os contasse

Sei que os enxugava com a luz da mulher
Com os seus olhos muito claros voltados para o centro
Do amor, na operação poderosa
Do amor

Sei que cortava os cabelos para procurá-la
Sei que a mulher ia perdendo os vestidos cortados

Era um homem imaginado no coração da mulher que lavava
O cabelo no seu sangue

Na água corrente

Era um homem inclinado como o pescador nas margens para ouvir
E a mulher cantava para o homem respirar


Daniel Faria